segunda-feira, 6 de novembro de 2006

INVICTO

Fundação Eugénio de Andrade recusou subsídio de 15 mil euros proposto pela Câmara do Porto

"Arnaldo Saraiva esperou até agora que Rui Rio reconsiderasse os termos da cláusula que impede a fundação de criticar o município
A Fundação Eugénio de Andrade (FEA) recusou o subsídio de 15 mil euros que o presidente da Câmara do Porto, Rui Rio, fez aprovar pelo executivo, no final de Junho passado. "Decidimos que só assinaríamos se Rui Rio nos libertasse da cláusula que nos impede de criticar o município", esclareceu Arnaldo Saraiva, presidente da FEA, em declarações ao PÚBLICO.Foi a partir daquele protocolo, aprovado na reunião camarária de 27 de Junho, que se desencadeou a polémica pelo facto de o presidente da Câmara do Porto, Rui Rio, ter decidido condicionar a atribuição de subsídios camarários à obrigatoriedade de as entidades financiadas se absterem de "publicamente expressar críticas que ponham em causa o bom nome e a imagem do município do Porto, enquanto actividade co-financiadora da actividade", conforme se lê no protocolo de concessão de subsídios camarários. Aprovada a atribuição dos 15 mil euros, a FEA, segundo Arnaldo Saraiva, entendeu que não podia ficar condicionada pela obrigatoriedade de não criticar o município. "É evidente que temos todo o interesse em receber o subsídio, porque a fundação é pobre e entendemos que a poesia e a cultura são componentes essenciais da sociedade, mas consideramos que ia contra a dignidade da instituição aceitar uma cláusula daquelas", afirmou Arnaldo Saraiva, acrescentando que a FEA aguardou até agora que a Câmara do Porto reconsiderasse os termos da cláusula. "Poderíamos aceitar se o impedimento se restringisse ao montante do subsídio atribuído, mas, efectivamente, não é isso que resulta do protocolo", acrescentou Arnaldo Saraiva.Questionado sobre a hipótese de secundar o recurso aos tribunais, como decidiu fazer o Teatro Art"Imagem, aquele responsável respondeu que a FEA ainda não equacionou esse cenário."
In Público

8 comentários:

Haddock disse...

Já me tinha constado. É a educação germânica (da escola alemã, bem entendido)do Rui Rio. E até foi meigo. Um certo dia não enfiou todos (quase) os arrumadores do Porto numa carrinha dos serviços municipais para os deixar no meio de um pinhal qualquer? PS: daqui não tenciono desparecer... ou melhor, vou aparecendo. Abç.

noasfalto disse...

haddock: és sempre boa a tua visita. e quanto ao rio já me esquecia desse episódio :)

Periférico disse...

Pode-se criticar o estilo, o método, a forma, mas às vezes as notícias parecem esquecer-se de uma coisa, Rui Rio teve maioria absoluta nas eleições e como tal tem toda a legitimidade democrática para dentro dos seus poderes como presidente da Câmara governar a Invicta como melhor entender. Além disso, ao contrário de outros, não escondeu as suas intenções nem traiu o programa eleitoral com que foi eleito.

Um abraço

P.S. posso não simpatizar com o personagem, nem com o seu estilo, mas foi alguém democraticamente eleito. A cultura democrática não é só quando nos convém, como parece acontecer com alguns jornalistas e políticos.

Haddock disse...

... Pronto! Temos tema para um mês...!

luis disse...

Quanto ao Rui (atirem-no ao) Rio, é simples. Façam isso mesmo.

"Democráticamente" eleito... Pois. Também o foram o maluco Jardim, o fascista Hitler e o assassino Bush.

noasfalto disse...

Periférico: Achas que acções com este calibre se incluem dentro dos poderes legitimamente democráticos? E ainda acreditas nos programas eleitorais? Convém também não esquecer que quem foi democraticamente eleito pode muito bem ser judicialmente deposto.

Não me interessa particularmente a acção do Rui Rio. Nem sequer moro no Porto. Contudo estes tipos indignam-me e acho que se os portugueses não fossem tão lorpas isto não ficava por aqui...

Abraço

Haddock disse...

Apoiado!

Lia Bettencourt disse...

concordo, indubitavelmente.
Arnaldo Saraiva é meu professor e conheço-lhe a justeza e a rectidão. a Rui Rio reconheço-lhe a capacidadede liderança ainda que para isso tenha de roçar o autoritarismo mas, sem dúvida, que não se sente seguro: para isso o dinheiro não entrava como condição, certo?